sábado, 9 de março de 2013

A onda me embolou



A primeira vez que eu entrei no mar,
Foi pelas mãos de minha mãe,
Mas quando sua mão me escapou,
A onda veio e me levou.

De volta à areia,
Entrei, depois, pelas mãos de meu irmão.
Mas, logo-logo, meu irmão cansou,
Uma segunda onda veio e me levou.

Entrei no mar uma, duas, três
Vezes... Mas toda e cada vez,
D’água fria e com o mesmo torpor,
Uma onda veio e me levou.

Coberto de areia e medo,
Sorri, minha mãe me levantava.
Fomos para o mar, e ela me deixou,
Novamente, a onda veio e me levou.

Também já tive um bem,
Que entrou comigo no mar.
Mas o sal comeu nosso amor,
E outra onda veio e me levou.

A onda me deixou na areia,
Mas voltei correndo pro mar,
Co’um segredo que a água me contou,
Mal entrei, outra onda veio e me levou.

Depois daquela confusão de águas 
Me vi, novamente, ofegante na areia. 
Voltei ao mar que nunca me aceitou, 
Mais uma vez, a onda veio e me levou.

Cuspia água na área, assustado. 
Meu pai me pegou nos ombros, 
Entramos no mar, mas nada mudou, 
Um dia a onda veio e me levou. 

Em um barco que se desfazia, 
Vi meu pai indo embora no mar, 
Corro atrás dele, nadando pela dor, 
Indiferente, outra onda veio e me levou.

Sujo de areia, entrei então, sozinho, 
Neste mar que nunca me aceitou. 
Queria seguir o meu caminho 
Mas, impiedosa, a onda veio e me levou. 

Outro dia brinquei no mar, 
Brinquei com as águas também, 
Foi quando eu pensei: “o mar me perdoou”, 
Mas veio uma onda e, meu pai, levou. 

Thiago Marques Leão, Salvador, 07/03/2013.