sábado, 23 de fevereiro de 2013

Longe, muito longe daqui...


Queria um lugar onde chovesse
Todo fim de tarde, amiúde.
Com parques, onde houvesse,
Pombos, crianças e bolas de gude.

Queria uma praça em primavera,
De árvores silentes e amigas.
E um casarão de pedras velhas
Em uma cidade de casas antigas.

Queria um caminho de terra batida,
Com flores que venham até os joelhos,
Levando a uma rua sem saída.

Ao final, a casa que de sonhos se veste,
Eu, abrigado por teus lábios vermelhos,
Morado assim, nos beijos que me deste.

Thiago Marques (Salvador, 23 de fevereiro de 2013)



segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Poema (in)disciplinado


Com uma (in)disciplina de vento,
Caminhei entre suas folhas.
Como se tivesse escolha,
Era o dia querendo reger o tempo.

Como quem canta um lamento,
Sussurrei insensatez em seu ouvido.
Ignorando estar perdido,
Disse-lhe pra seguir o firmamento.

Certa de suas mil incertezas,
Constante como só sabe ser a Lua,
Que muda toda noite, cheia de si ou nova

De uma mesma antiga beleza,
Minha alma se convenceu que é a sua,
Sem pedir argumento, evidência ou prova.

Thiago Marques, Salvador, 18/02/2013

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Soneto de Chuva


É Chuva! Chegou... Ela chegou, ruído
Bom, de sussurro de boca colada
No rosto, um cheiro de terra molhada
Que me toca a pele e fica comigo.

É noite, é cedo, e a chuva co'um gemido
Se deita sobre a grama, carícia velada,
Ela se chega, como quem não quer nada,
Contando segredos indecifráveis, no ouvido.

A Chuva que acalma, e rapidinho apavora.
Não disse quando volta, nem se vem
De novo, deitar-se nos olhos do meu bem.

Saudade... Molha por dentro, a chuva lá fora.
A chuva que se entrega, mas é de ninguém,
Me beija um beijo molhado e depois vai embora.

Thiago Marques, Salvador, 12/fevereiro/2013.

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Quadras de sonhos


Toda noite sonhava e ouvia
Canções sussurradas pela Lua.
Depois corria atrás de luzes que via
Fugir pela janela em direção à rua.

Eu as perseguia noite afora,
Por precipícios, rios e vales,
Em um sonho do qual, agora-agora,
Não consigo lembrar detalhes.

De repente, descobria você comigo
Os olhos, como de estrelas bordado,
Luzia em seu rosto moreno e eu, perdido,
Queria acreditar que você tinha voltado.

Você deitava os dedos sobre meus lábios,
Tão apressados em dizer, o quê não sei.
E no silêncio que faz sonhos parecerem sábios,
Preferindo morrer que acordar, acordei...

Thiago Marques (Salvador, 03/fevereiro/2013)