segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

...

Às vezes eu a encontro sem querer,
Quase por engano, em rostos pela rua.
Noutras, não a vejo, mas sei que é você
Brincando de se esconder por trás da Lua.

Às vezes eu a encontro no Sol a se pôr,
E pra não vê-la partir, peço ao Dia “espera!”.
Noutras, ouço seus passos pelo corredor,
Ou reconheço sua voz, nos tons da primavera.

Às vezes estou certo de que a vejo
Nos instantes entre um sonho e eu acordar:
Você é toda ternura, você é toda desejo,
E de seus olhos escuto, enfim, que vai voltar.

Mas nessas vezes, você me foge como areia
Que tento tanto segurar, mas não retenho,
E eu sou mar distante, olhando a Lua cheia
Que se escreve em meu peito como desenho.

Às vezes conversamos numa língua secreta,
Que em silêncio inventamos só pra nós dois.
Noutras, você me invade, pela janela entreaberta,
E é nada mais do que um perfume no ar, depois...

Às vezes, eu me perco enquanto a procuro,
Sou barco à vela, seguindo aonde vai o vento.
É quando me perco em seus olhos escuros,
Nesse oceano que transborda de sentimento.

E nessas vezes em que me perco, ...,
Eu me encontro em um tempo que se perdeu,
Um passado de certezas, um futuro que espera
Quando volte a ser tão minha, e possa ser só seu.

Thiago Marques (Salvador, 24/12/2012)

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