sábado, 29 de dezembro de 2012

Lua de hoje

Hoje a Lua é toda mulher,
Toda beleza,
Toda fortaleza,
Toda bem-me-quer.

Hoje a Lua é toda amante,
A derramar luz de seu seio,
Ela hoje é toda devaneio
Ora se deita aqui, ora está distante.

Hoje a Lua é toda bela,
Meio se mostra, meio se esconde.
De soslaio nos olha, ao longe,
Faceira, imensa e amarela.

Hoje a Lua é toda amor,
E vai se deitar serena,
Nesta noite morena,
E nos convida sem pudor.

Morena, corre e vem ver,
No mesmo céu que nos une,
Bailando, entre nuvens, impune,
Hoje a Lua é toda você.

Thiago Marques (Salvador, 29/12/2012)





quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Cantiga sem esperança


Tanto violão,
Tanta miragem,
Tanta canção
Nesse fim de tarde.

Tanta ilusão,
Tanta vontade,
Tanto sim e não
Deixando saudade.

Nessas ruas baianas,
Nessas noites praianas,
Onde ande você?
Brincando com a Lua,
De pique na rua,
Com sonhos, de esconder.

Nessas noites serenas,
Nesses ventos desejos,
Em sua boca, Morena,
Ainda me guarda um beijo?

Já quase desisto de vê-la,
Não a encontro jamais...
É como se fosse uma estrela,
Em um sonho fugaz.

No seus olhos intensos,
Tantos caminhos a correr,
Nesse sorriso imenso,
Como queria me perder.

Thiago Marques (15/12/2012).

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

...

Às vezes eu a encontro sem querer,
Quase por engano, em rostos pela rua.
Noutras, não a vejo, mas sei que é você
Brincando de se esconder por trás da Lua.

Às vezes eu a encontro no Sol a se pôr,
E pra não vê-la partir, peço ao Dia “espera!”.
Noutras, ouço seus passos pelo corredor,
Ou reconheço sua voz, nos tons da primavera.

Às vezes estou certo de que a vejo
Nos instantes entre um sonho e eu acordar:
Você é toda ternura, você é toda desejo,
E de seus olhos escuto, enfim, que vai voltar.

Mas nessas vezes, você me foge como areia
Que tento tanto segurar, mas não retenho,
E eu sou mar distante, olhando a Lua cheia
Que se escreve em meu peito como desenho.

Às vezes conversamos numa língua secreta,
Que em silêncio inventamos só pra nós dois.
Noutras, você me invade, pela janela entreaberta,
E é nada mais do que um perfume no ar, depois...

Às vezes, eu me perco enquanto a procuro,
Sou barco à vela, seguindo aonde vai o vento.
É quando me perco em seus olhos escuros,
Nesse oceano que transborda de sentimento.

E nessas vezes em que me perco, ...,
Eu me encontro em um tempo que se perdeu,
Um passado de certezas, um futuro que espera
Quando volte a ser tão minha, e possa ser só seu.

Thiago Marques (Salvador, 24/12/2012)