segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Tempo


As horas adormecem e o tempo desacelera
Enquanto, entre meus olhos, você caminha.
Estou certo que estive aqui antes em minhas
Noites de saudade, minhas tarde de primavera.

A chuva cai em câmera lenta e espera
A tempestade que, inevitavelmente, se avizinha.
Mas você segue alheia e austera, entre as linhas
De minha história de versos, sonhos, quimeras.

Quantas vezes eu já bebi desse mesmo vinho,
Quantas vezes eu desenhei esses mesmos versos,
Como quem quer recriar o passado sozinho?

Com tintas e liras, refazer os passos do universo
Em direção ao início que se perdeu no caminho,
Um vitral de memórias, suspiros e beijos dispersos.

Thiago M. (São Paulo, 13/08/2012)



terça-feira, 7 de agosto de 2012

Medo de amar


Fugindo dela para correr em sua direção,
Com medo de seguir sempre sozinho,
Seguindo, sem saber, o mesmo caminho,
Perseguindo sempre a mesma ilusão.

O peito que abre, o olhar que mira longe
Alguém sob a chuva que espera ser acolhido.
A alma que se expõe à espera de sentido
Para esperanças, que no seu íntimo esconde.

É o sonho que permanece eterno desejo,
A busca pelo conforto, enfim, d'outra mão
Que nos alise a fronte e roube um beijo.

É o medo de abrir-se e só encontrar dor,
Pelos caminhos incertos do coração,
A eterna busca e o infindo medo do amor.

Thiago Marques (São Paulo, 07/08/2012)