domingo, 27 de maio de 2012

Utopia solitária


 

Utopia solitária

Caminho entre dois tempos que há em hora alguma.
Em um deles me desenho, no outro sequer me esboço,
Um deles me eleva alto, no outro me atiro sem esforço
Porque é mais doce a onda do que a espuma.

Por isso, à noite, gosto de esperar a alvorada
E perseguir sonhos que são sonhos e nada mais,
Redesenhar na areia os versos que a onda desfaz,
E conversar horas com a Lua sobre a madrugada.

A verdade é que ando cheio de andar sempre vazio,
Esses beijos só de corpo vão me roubando a alma,
Esse desprendimento do essencial me tira a calma
Nesse fogo-fátuo que brilha em um tom vago e frio.

Por isso sigo caminhando entre ruas que foram jamais,
Incendiado de sonhos e farto de toda essa paz.

Thiago Marques (27/maio/2012)

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Um trem até nós dois



Esse é um poema que não precisa responder,
Nem precisa corresponder, só precisa escutar...
É um poema que se escreve quase sem-querer
Cujas palavras vão sentando em qualquer lugar.

Nem é bem um poema, é mais uma lembrança...
Uma dessas imagens que nascem de um cheiro,
Que vêm junto com uma música, ou uma dança,
E se compõe aos poucos, sem nunca estar inteiro.

É uma memória boa de um tempo sem eira nem beira.
De ouvir seu bom-dia, de meios poemas, de eu te amo's,
Cair da cama, quando você caia no sono, a semana inteira, 
E repetir aquelas juras e promessas que nós nos juramos.

Seguir os trilhos até um tempo que só nós sabemos quando
É, tempo d'uma cegueira de amor, que só enxergava você.
Então, descer n'última estação e encontrá-la me esperando:
Um sorriso no rosto, um beijo na boca e nada mais a dizer.

Thiago Marques, Sampa, 10/maio/2012.