quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Notícias de SP nº 01

Fico imaginando se todo baiano que chega a São Paulo se sente como Caetano em Sampa. Neste diário virtual, de sentimentos concretos, que escrevo para mim mesmo (sabendo que dificilmente será lido), retomo o que escrevi poucos dias depois de chegar a SP, em email para amigos:

Estou gostando de São Paulo apesar de, encarando a cidade frente a frente, não ver sempre o meu rosto. Em breve, espero chamar Sampa de "realidade" também. Hoje, a cidade acordou cedo. Às cinco horas as vozes da feira, sendo montada em frente ao albergue em que estou, começaram a pular a janela de meu quarto, sem cerimônia. À rua, as cores e aromas das frutas, verduras e comidinhas à venda, maravilharam-me. As barracas, muito charmosas, interromperam o fluxo da rua e assentaram-se, reivindicando seu espaço, na correria das veias paulistanas. 
Estou me acostumando com as ruas e com o metrô. Tento decorar saídas, nomes, números, cores de linhas, trajetos e descidas. Apesar de ainda não muito bem, já comecei a conhecer algumas pessoas. Diariamente, eu as encontro na FSP/USP, trocamos nomes e contatos, mas ainda não houve tempo para amizades (contudo vejo boas promessas). 
(São Paulo, 13/fevereiro/2011)

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Divagações nº 01

Estava aqui me perguntando se a inteligência é mesmo afrodisíaca ou se essa crença age apenas como um mecanismo compensatório, pelo fato de a burrice ser tão broxante...

Flor de Murta

Hoje fez calor em SP. Acordei na madrugada, e não voltei a dormir. A noite de calor deu à luz um dia de sol forte e céu azul. A caminho da faculdade, percebi pela primeira vez um pé de murta em flor. Parei para cheirar as flores (causando estranhamento em um casal que passava ao largo) e deu uma saudade de casa... Em Salvador temos um pé grande de murta, que à noite perfuma a varanda.

 Foi um dia de olhares novos. Segui com muita vontade de andar e assim o fiz. Cheguei à faculdade olhando as pessoas que passavam tão apressadas e me perguntei, "Para que tanta pressa"? Agora lembrei daquele poema de Drummond ("pra que tanta perna, pergunta meu coração, mas meus olhos não perguntam nada"). Como tinha uns quinze minutos, segui para uma pracinha de bancos de pedra, sob árvores antigas. Fui andando sobre a grama, por um caminho diferente. Deitei sobre um dos bancos de pedra sob um cantinho de céu e, olhando para cima, reparei como a bifurcação da árvore parecia formar um coração pardo e verde, sobre um fundo azul.
Foi um dia de olhares novos e saudades antigas. O cheiro da murta ficou-me na mão e, com ele, a saudade de casa, dos amigos, da cidade... Tem um versão de Chega de Saudade em inglês (um jazz), que diz "home is where the heart is". Com isso em mente, na volta, quando passei novamente pela murta, colhi um galho florido e, depois, coloquei-o em um copo com água. Agora escrevendo, seu perfume me faz companhia e me acalenta a saudade, enquanto a murta toma sol à janela de meu quarto.